3 de out de 2010

O trem da vida


Estou num trem que não aceita passagem de volta, um trem que vai, mas nunca retorna; sentada numa poltrona à beira da janela, observando atentamente o que passa por ela. Percebo que o tempo anda depressa e anoto cada detalhe em uma agenda ainda pouco escrita. No início das anotações os tombos que eu levava eram resolvidos com um carinho de mãe, com o tempo os mesmos ganhavam arranhões, mas me levantava bem rápido, pois tinha amigos ao meu lado; eles se agravaram enquanto eu crescia e feridas externas agora se desenvolviam dentro de mim, onde a solidão havia se tornado uma grande aliada. Continuei a escrever o que acontecia, a cada estação eu me redescobria, conhecia e criava uma nova imagem minha, cada vez mais forte ou talvez o contrário, mas sentia que ali um novo ser me tornaria, mudava de vagão em vagão conhecendo coisas que não sabia que existiam, sofrendo com quedas levadas com o balançar desse trem, onde quase sempre encontrei alguém pra me levantar e olhar nos meus olhos com um charme encantador, acompanhado de um sorriso que me tiraria qualquer dor, o problema era perceber que aquele alguém seria dono dos meus futuros sofreres, que muitas vezes passavam rapidamente, assim que eu fechava a porta e seguia em frente. E continuo nesse trem de ida sem volta, sem saber que trilhos e caminhos vou seguir, mas descobri que sou o maquinista que comanda essa viagem vivida, então decidi ir sem preocupação, dei alívio ao meu coração e algum dia quem sabe irei mostrar as anotações que faço a vagar, pra no futuro ser bem mais feliz.

                                (Autoria: Noanne Campos)

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